segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Filhos sem pai...

Quanta coisa se fala de mãe solteira, de como é difícil ser mãe solteira, do preconceito, das dificuldades, da dor. Realmente deve ser muito doloroso ser abandonada num momento tão delicado, num momento de tanta fragilidade.
Mas pouco se fala de como é ser um filho sem pai. Do constrangimento de se apresentar um RG sem nome paterno, do olhar de pena, de ter que explicar que não tem mesmo nome de pai, porque você foi abandonada na barriga da sua mãe.
Pouco se fala da dor de ser largado, como se você não fosse nada a não ser um erro, que pode ser deixado pra trás sem se preocupar. Dos presentes de dia dos pais que todo mundo faz na escola e os seus ser sempre pra sua mãe, não que ela não merecece, mas só quem passou por isso entende o constrangimento. Como fazer uma apresentação de dia dos pais se você não tem um? Não sabe como é ter um, não sabe nada a respeito? É fácil dizer que temos que superar e deixar pra lá, que não precisamos de pai, que ele nunca fez falta... Difícil é olhar os rostos na rua e não saber se o cara que esbarou em você não é ele ou um tio ou um parente.... Difícil é olhar no espelho e não saber se tem traços desse cara tão insignificante. Talvez algumas pessoas lidem melhor com esses questionamentos, talvez algumas pessoas nem se questionem nada... Mas pra mim, fruto de uma relação que não vingou, fruto de um abandono sem remorsos, não é tao fácil assim. DOI. Sempre doeu e sempre vai doer, sempre vai faltar um pedaço da minha historia, um pedaço de quem eu sou que talvez eu nunca conheça. Sempre vai faltar um pedaço de mim...

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